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A paródia da autobiografia em Lygia Fagundes Telles = A parody of autobiographies in Lygia Fagundes Telles

Keywords: paródia , escrita , metanarrativa , pós-estruturalismo , parody , writing , meta-narrative , post-structuralism

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Abstract:

Este artigo defende a hipótese de que o romance As horas nuas (1989), de Lygia Fagundes Telles, apresenta um sofisticado jogo auto-referencial da obra dentro da obra. As cenas em que Rosa, a protagonista, tenta escrever suas memórias, mas é consumida peloalcoolismo, fortalecem as idéias de paródia e de descentramento estético, presentes nesse romance. Rosa narra e comenta a superficialidade de suas memórias até abandonar seu projeto de escrita, que pode ser lido como uma paródia das autobiografias. Essa hipótese será sustentada metodologicamente pelos conceitos pós-estruturalistas propostos por Jacques Derrida, que defende a escrita como jogo, remédio, veneno ou teatro, entre outrosconceitos. A partir dos suplementos estéticos da encena o de Rosa, o leitor, preocupado com o “como” a obra foi construída, descobre novos roteiros desse romance que se autoquestiona no próprio desenrolar da narrativa. Ao final, interpreta-se o silêncio de Rosa como uma crítica à superficialidade e ao narcisismo do gênero autobiográfico. This study defends the idea that the novel As horas nuas (1989), by Lygia Fagundes Telles, presents a sophisticated auto-referential game concerning the artistic production in itself. The scenes in which Rosa, the main character, tries to write her memories, but is absorbed by alcoholism, strengths the idea of parody and esthetic disorder in this novel. Rosa narrates and comments the superficiality of her memories until the moment that she abandons herwriting project, which can be read as a parody of autobiographies. This hypothesis is supported methodologically by the post-structuralism concepts proposed by Jacques Derrida, which defends the writing as a game, medicine, poison or theater, beyond other concepts. Using the esthetic supplements of Rosa’s staging, which narrates her memories to a recorder, the reader concerned about “how” the novel was built discovers new scripts of the novel that provokes self-questioning in the development of the narrative. In the end, the silence of Rosa can be interpreted as a criticism about the superficiality and the narcissism of the autobiographies.

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