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Sexo, gênero e homossexualidade: o que diz o povo-de-santo paulista?

DOI: 10.5752/444

Keywords: Candomblé , Gênero , Sexualidade , Homossexualidade

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Resumo "O candomblé aceita o homossexualismo porque é uma religi o que n o tem pecado. N o interessa se você seja homem, mulher ou gay. N o importa a op o sexual. (...) Você pode ver. é uma religi o de homossexuais". é assim que um filho-de-santo responde a uma pergunta sobre a notável presen a de homossexuais iniciados na religi o dos orixás. Se comparadas a outras denomina es hostis e indiferentes às orienta es n o-heterossexuais, o candomblé e outras devo es afro-brasileiras s o, de fato, mais tolerantes à participa o de homossexuais, permitindo-lhes ocupar todos os postos previstos na hierarquia ritual. Embora estejam entre as express es religiosas que menos discriminam o indivíduo por raz es de preferência sexual, percebemos por meio da literatura especializada e de uma pesquisa de campo, realizada na regi o metropolitana de S o Paulo, que os candomblecistas também empregam em seus discursos argumentos ou narrativas míticas, certos princípios e valores seculares articulados à moralidade crist e que d o sustenta o à hierarquia de sexo/gênero - conforme alguns sacerdotes, as categorias homem/mulher e masculino/feminino devem corresponder às expectativas sociais esperadas para cada ser sexuado. Em virtude disso, tratar de homossexualidade nas comunidades-terreiro, ao contrário do que possa parecer, é um tema delicado, restrito e rodeado de tabus. Palavras-chave: Candomblé; Gênero; Sexualidade; Homossexualidade. Abstract "Candomblé accepts homosexualism because it is a religion where sin does not exist. It does not matter whether you are a man, a woman or gay. Your sexual choice does not matter. [...] You can see it. It is a religion of homosexuals." This is how a filho-de-santo answers a question about the remarkable presence of homosexuals initiated into the orixás' religion. If compared to other denominations, hostile or indifferent to nonheterosexual orientations, candomblé and other Afro-Brazilian religions are indeed more tolerant to the participation of homosexuals, allowing them to hold all positions in the ritual hierarchy. However, based on the literature and on a field research carried out in the S o Paulo metropolitan region, we realized that those affiliated to candomblé, although following one of the religions with the lowest degree of prejudice against individuals due to their sexual preference, also employ in their discourse arguments or mythical narratives, secular principles and values articulated with Christian morality, which support the sex/gender hierarchy: according to some priests, man/woman and male/female catego

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