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Galáxia  2010 

Os olhos de Saddam: imagens do inimigo

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Na representa o jornalística da captura de Saddam Hussein, as fotografias s o utilizadas como “atos de guerra” na representa o dos inimigos, e enfatizadas pelos circuitos midiáticos. Saddam foi capturado em um refúgio escavado debaixo da terra na zona rural: as suas condi es físicas eram dignas de piedade, e impiedosamente foram imortalizadas pelos fotógrafos embedded na captura. O aspecto de seu corpo transcurado, de seu rosto inchado, de seus cabelos e de sua barba desalinhados eram o contrário de sua imagem “em majestade” entronizada em mil variantes por todo o Iraque até pouco tempo atrás. O por em cena a estética do corpo sobre a qual Saddam – como muitos políticos n o necessariamente tiranos – fundou a representa o de seu próprio poder, foi destruída e a interpreta o de degrada o ultrapassou com grande facilidade a sua imagem de honra. Nas inten es dos inimigos, desgosto e vergonha colaboravam perfeitamente para a sinaliza o da vitória, enquanto, entre os espectadores da parte adversária só suscitavam mais raiva, indigna o, ódio e desejo de vingan a. Essas fotos de Saddam, assim como, em seguida, aquelas de seu enforcamento após a sua condena o, de tratamento grotesco, representam somente um dos episódios mais significativos de uma longa “guerra de imagens” que contrap e ainda povos e culturas, sensibilidade religiosa e política, e torna o terreno da mídia, um espa o ulterior de desencontros, ao invés de constru es possíveis de comunidade. O texto se fecha entre outros sobre o estatuto ambíguo que os jornais atribuem às imagens fotográficas, de um lado utilizadas como prova incontestável do discurso verbal e, de outro, continuamente pondo em causa esse último, que as interroga, as interpreta e as coloca em dúvida, construindo um discurso sincrético a ser lido sob diversas possibilidades isotópicas.

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